quarta-feira, maio 05, 2010

O jornalista da vossa beleza em Lisboa



Sábado, 8 de Maio, o espectáculo “o jornalista da vossa beleza”, vai estar na Fnac do Colombo às 16h e às 18h na 80ª Feira do Livro de Lisboa, na Praça Laranja. Este espectáculo trata-se de uma homenagem que o Teatro Universitário do Minho decidiu prestar à poesia de João Negreiros. O espectáculo é uma fusão de poemas antigos e inéditos. O naturalismo, a emoção aliados à dimensão sonora da poesia dão a toda a performance uma sensação visceral e palpável, aproximando os poemas dos anseios, medos e problemáticas do próprio público. É um espectáculo alegre e soturno, épico e intimista, hilariante e dramático. As vozes de tessituras diferentes fornecem uma paleta sonora muito abrangente dando cor e alma à literatura que já de si a possui. Momentos únicos com os quais o público se identificará.
Neste sentido, o espectáculo irá servir como apresentação de umas das mais recentes obras de poesia editadas do escritor – “a verdade dói e pode estar errada” - Colecção Camões & Companhia da Saída de Emergência. Este livro inclui alguns poemas premiados nacional e internacionalmente, inclusive o poema “o Outono visto pela janela” vencedor do Prémio Nuno Júdice 2009



o Outono visto pela janela


na casa onde nasci havia sons e cheiros meus
as pessoas que os tinham emprestavam-mos à memória
e eu incluía-os como amigos íntimos
nesta não tem gente
ou se tem não têm cheiro
nem som porque eu não me lembro
gastei toda a memória nas pessoas antigas
e o espaço para as novas é um T1 que fica muito para além do T
onde eu estou sem visitas
fechado à medida de não deixar entrar
preciso do que já foi como do próximo ar para me lembrar que foi bom
eu já fui bom
agora não sei
mas já fui
juro que fui
e quero gastar as únicas energias a fazer manutenção às memórias
p’ra que nenhuma se perca
era pena
é que até a gente que me fez por dentro como a um cofre já não existe
e quero mantê-los ligados à máquina para sempre
e a máquina sou eu
e para sempre sou eu
anda
aconchega-te no mofo do T1
finge que és de antigamente para te dar os beijinhos de quando era pequenino
cheiras à minha avó
à roupa no estendal
à canção do fim dos bonecos
ao banho que está a ficar frio
ao grito do granizo do dia mais longo em que a casa esteve para cair
tu cheiras e sabes ao dia em que a casa esteve para cair
que foi no mesmo dia em que resistiu
como se estivesse ali desde o início dos tempos
e os tivesse começado para eu os acabar
acabar
acabar
acaba comigo que me falha a lembrança
e restas-me como a folha que esteve para cair
e que só não caiu porque o mundo acabou antes do Outono



NÃO PERCA!


É A POESIA PARA PESSOAS PRIMEIRO E PARA POETAS DEPOIS.
É A POESIA PARA PESSOAS PRIMEIRO E PARA LEITORES DEPOIS.
É A POESIA PARA PESSOAS PRIMEIRO E PARA PESSOAS AGORA.


3 comentários:

Amália disse...

Olá a todos os membros desta excelente equipa, aliás deste projecto fantástico!
foi para mim muito gratificante ver o vosso espectáculo na Feria do Livro de Lisboa!
Confesso que em condições adversas foi uma vitória este espectáculo ter acontecido.Surpreendente ainda para mais com a feira fechada, este grupo de jovens teve o brio de fazer brilhar a poesia poderosa de João Negreiros. É admirável o orgulho com que transmitem estas mensagens tão urgentes e perfeitas, que servem a todos os que vivem e sentem as coisas da mesma maneira que os humanos!
Isto porque a poesia em Portugal, nas últimas gerações quer de pretensos escritores e dizedores tem sido arruinada e deturpada!

Força para vocês, são brilhantes! E os textos do João Negreiros são do outro mundo! Além Pessoa!
Muitos parabéns! Força.
Amália Alberto

Raquel disse...

Olá, descobri os poemas de João Negreiros na Internet e depois cheguei até aqui! Já vi que fazem espectáculos com a poesia dele.
Curtia ver uma cena vossa, onde vão estar em breve, já têm algo marcado?
Raquel Mx

Dina Maciel disse...

olá Raquel proximo espectáculo é dia 29 de maio na Fnac do Bragaparque, às 21h30

http://cultura.fnac.pt/Agenda/fnac-braga/2010/5/2/o-mar-que-a-gente-faz

Tens um oportunidade de ver os actores a dar corpo à obra de João Negreiros.